Pe. Márcio Mota de Oliveira

 ESPIRITUALIDADE LITÚRGICA

Aplicando o competente selo de autenticação no movimento litúrgico, o Concílio afirma que a liturgia é “a primeira e necessária fonte, da qual os fiéis haurem o espírito verdadeiramente cristão” (SC 14). Essa afirmação considera a liturgia fundamento e, ao mesmo tempo, conteúdo essencial da espiritualidade cristã. É necessária, pois, da parte de todos os fiéis, uma “plena, consciência e ativa” participação nas celebrações litúrgicas, como exercício do sacerdócio real que cabe a eles “por força do batismo” (SC 14).

            O Concílio evita as posições unilaterais tanto do liturgismo, como do psicologismo e do devocionismo.

            Contra o liturgismo afirma que “a sagrada liturgia não esgota toda a ação da Igreja” (SC 9); portanto, há espaço para a oração pessoal e para os exercícios de piedade (SC 12-13).

            Na trilha dos grandes representantes do movimento litúrgico, o Vaticano II mostra-se, porém, um convicto defensor do primado e da natural superioridade da liturgia sobre as demais formas de oração (SC 13), pois ela é a realização sacramental da obra da salvação e do mistério pascal (SC 5-6) e, por isso, detém um primado que nenhuma outra ação na Igreja pode reivindicar: “Disto se segue toda a celebração litúrgica, como obra de Cristo sacerdote e de seu Corpo, que é a Igreja, é uma ação sagrada por excelência, cuja eficácia, no mesmo título e grau, não é igualada a nenhuma outra ação da Igreja” (SC 7).

            A reconhecida importância axiológica (isto é, dos valores) da liturgia é densa de conseqüências para a espiritualidade da Igreja. Esta não se esgota na liturgia, mas jamais pode prescindir dela, sob pena de afastar-se do seu fundamento e da sua meta. Em termos positivos, a liturgia envolve o conjunto da vida eclesial, que dela parte e a ela conduz, como o Concílio se exprime: “...a liturgia é o cume para o qual tende a ação da Igreja e, ao mesmo tempo, é a fonte donde emana toda a sua força” (SC 10).

Fonte: De Fiores, Stefano. A “nova” espiritualidade. Ed. Cidade Nova, São Paulo, Paulus, 1999, p. 36-38.